• Kelly V. Giudici

Compostos bioativos e a saúde óssea



Recentemente abordamos aqui no NutS as particularidades da alimentação vegetariana e vegana, e sua possível influência na saúde óssea, e mostramos que diversos nutrientes são muito importantes para a manutenção otimizada do metabolismo ósseo. Hoje, estendemos o tema apresentando alguns compostos bioativos que também são capazes de interferir com o nosso esqueleto.



Para começar, o que são compostos bioativos?


Há grandes chances de você já ter ouvido falar de polifenóis, por exemplo, e sabe que estas substâncias podem ser encontradas em alguns alimentos. Mas qual a diferença entre nutriente e composto bioativo? Por que os polifenóis fazem parte do segundo grupo, e não do primeiro?


Nutrientes são, basicamente, substâncias encontradas nos alimentos das quais o corpo humano precisa para conseguir funcionar adequadamente. Ou seja, são essenciais. Eles podem fornecer energia (como os carboidratos, as proteínas e as gorduras) ou não (como as vitaminas e os minerais), mas caso não façam parte da nossa alimentação (ou sejam ingeridos em quantidades insuficientes), necessariamente afetarão o funcionamento do organismo.


Compostos bioativos, por sua vez, são substâncias também naturalmente encontradas nos alimentos e capazes de exercer ações metabólicas, porém não são essenciais para o funcionamento do nosso corpo.


Como compostos bioativos podem contribuir com a saúde óssea?


Muitos compostos bioativos apresentam ações anti-inflamatórias e de combate ao stress oxidativo, além de ter a capacidade de estimular as células do tecido ósseo, atuando em uma complexa rede metabólica que age contra a perda de massa óssea e proporciona maior resistência a fraturas.



Quais os compostos bioativos mais relacionados com o metabolismo ósseo e onde encontrá-los?


Isoflavonas são compostos bioativos que possuem uma composição química similar ao estrógeno, hormônio que circula em grandes quantidades nas mulheres, e cuja produção é reduzida consideravelmente com a chegada da menopausa, o que acelera a perda de massa óssea. Por esta estrutura similar, conseguem se ligar ao receptor celular de estrógeno, conseguindo assim regular a expressão de genes normalmente regulados por este hormônio. Por esta razão, são também chamadas de "fitoestrógenos". São encontradas principalmente em leguminosas, sendo a soja uma de sua principais fontes.



Polifenóis encontrados no azeite de oliva e nas azeitonas são outros compostos bioativos que mostraram efeitos benéficos na manutenção da densidade mineral óssea, o que pode ser atribuído pela sua capacidade de favorecer a proliferação e diferenciação de células responsáveis pela formação óssea, além de combater o stress oxidativo e a inflamação.


Outros polifenóis como catequinas, quercetina, resveratrol e antocianinas também se relacionam com o metabolismo ósseo, e podem ser encontrados em frutas como uvas, morangos, framboesas, amoras, mirtilos e cerejas. Em estudos com animais, estas substâncias mostraram-se capazes de aumentar a retenção de cálcio no osso, restaurar o conteúdo mineral ósseo e reduzir a perda de massa óssea.




Como aproveitar estes benefícios?


Deixe que azeite de oliva extra-virgem, soja e frutas como uva, morango, framboesa, amora, mirtilo e cereja façam parte da sua alimentação! Incluir estes alimentos com regularidade na sua dieta irá fornecer não somente estes compostos bioativos, como também diversos nutrientes.


Para alguns casos específicos, sob acompanhamento de nutricionista e/ou médico, existe também a possibilidade de suplementar estes compostos em doses mais elevadas (que dificilmente seriam atingidas por meio da alimentação).


Referências

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