• Kelly V. Giudici

Por que comemos?


Comer é muito mais do que se nutrir. Obviamente tudo começa com a função primordial de fornecer ao organismo elementos necessários à manutenção da vida, os quais não somos capazes de produzir: os nutrientes. Porém, nem animais desprovidos de raciocínio lógico comem só por esta razão. Imagine então seres tão complexos como nós!

Por mais que saibamos disso, muitas vezes “varremos a poeira para debaixo do tapete”, tentando enxergar a alimentação como nada mais do que uma mera etapa necessária à nutrição do corpo. Principalmente na hora de considerar mudar hábitos alimentares para atingir um determinado objetivo! Procurar um(a) nutricionista pensando somente neste aspecto (puramente biológico) é colocar diversas pedras no próprio caminho. Pedir para seguir uma dieta restritiva, lindamente calculada e milimetricamente acertada para as suas necessidades (biológicas) é ignorar todas as suas demais necessidades, preferências e anseios (que não desaparecerão da noite para o dia).


Por isso, lembremos a seguir mais alguns clássicos motivos pelos quais comemos, para que todas as vezes em que a vontade (ou necessidade) de fazer alterações na alimentação surgir, não nos esqueçamos de que para obter resultados assertivos e duradouros, não se pode jamais ignorá-los! Qualquer tratamento nutricional, seja ele feito por conta própria ou com a ajuda de um profissional da área, deve levar em consideração que...

... comemos para modular a saúde


O corpo precisa ser nutrido para desempenhar funções, e se este funcionamento será bom ou ruim dependerá do equilíbrio entre qualidade e quantidade do que se come. Dessa forma, a comida se qualifica como um dos mais importantes moduladores da nossa saúde, sendo capaz de aumentar a performance física, melhorar o desempenho cognitivo, regular a disposição e prevenir ou tratar doenças.



... comemos para mudar nosso corpo


A estética e a manutenção ou modificação da auto-imagem são sem dúvida outras importantes razões pelas quais fazemos escolhas alimentares. A comida pode ajudar a ganhar massa muscular, perder gordura, alterar o aspecto de pele, unhas e cabelos... afetando diretamente a auto-estima.




... comemos para buscar conforto


Quando nascemos, a alimentação chega para saciar a fome embrulhada em um pacote chamado conforto. O calor do corpo da mãe (ou da pessoa que alimenta) traz a sensação de achonchego à qual associamos à comida, e da qual nosso inconsciente nunca mais se desapega! Isso não é problema algum, desde que saibamos dosar a medida certa. O perigo é ultrapassar o limite do saudável em busca deste conforto. Para saber mais sobre as comfort foods, confira aqui.



... comemos para celebrar


Celebração reúne pessoas, e celebrar partilhando comida faz da alimentação um dos atos sociais mais primordiais. Compartilhar sabores, cozinhar para pessoas queridas, degustar pratos especiais: tudo isso são formas de expressar agradecimento, empatia e cumplicidade.


... comemos para nos recompensar


Dias de trabalho árduo, dificuldades da vida, muito esforço e dedicação... e aquela sensação de esgotamento físico e mental subsequente. O que o corpo pede? Recompensas! Assim, é dado o gatilho para que a comida entre em cena. Mecanismos de recompensa podem surgir tanto em situações positivas (a comida como premiação) quando negativas (a comida como consolo), e por mais que algumas pessoas não usem a alimentação como válvula de recompensa com frequência, este motivo também atinge a todos, em menor ou maior grau. Mais uma vez, vale reforçar: qualquer razão (consciente ou não) que afete a nossa alimentação pode ser parte de uma vida equilibrada. Isso só se torna um problema se ocorrer de forma frequente e/ou exagerada.

... comemos para nos aquecer (ou resfriar)


Tomar sorvete em um dia quente de verão, uma sopa quentinha no inverno... É fato que tendemos a modular nossa escolha alimentar em função do clima, temperatura ou estação do ano! A comida ajudar a regular nossa temperatura corporal, e a trazer sensação de bem-estar quando passamos frio ou calor excessivos.

... comemos para amenizar sentimentos


Quem nunca?! Picos de tristeza, raiva, stress, angústia... E dá-lhe comida para, muito mais do que buscar conforto ou recompensa, também "assentar" ou até mesmo "enterrar" sentimentos negativos. Situações como estas podem se tornar mais delicadas, principalmente se ocorrerem com periodicidade. É comum que este motivo tenha força suficiente para se sobrepor às razões que deveriam prevalecer na escala do que influencia nossas escolhas alimentares (como saúde e bom funcionamento do corpo), por isso se você notar que come frequentemente para "digerir" sentimentos de maneira que foge ao seu próprio controle, considere buscar o apoio de um profissional especializado que o(a) ajude a tratar as causas (questões emocionais) deste desequilíbrio alimentar, como psicólogos ou médicos.


Como você pode ver, a alimentação é movida por múltiplas razões, todas elas naturais do comportamento humano. Buscar o equilíbrio e tratar as razões que porventura estejam descontroladas irá ajudar a tornar a sua alimentação, acima de tudo, o que ela deve ser: prazerosa e feliz.





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