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Gordofobia

21/12/2017

 

Muitas pessoas atribuem a sua própria obesidade a hereditariedade ou causas genéticas. Algumas vezes isso pode ser verdadeiro, inclusive quando consideramos a epigenética - termo usado para explicar como os genes interagem com o ambiente. Mas, na maior parte das vezes, a obesidade é provocada por um conjunto de fatores relacionados ao estilo de vida, que incluem estresse, sedentarismo e alimentação desbalanceada.

 

Vocês já se perguntaram por que as pessoas sentem a necessidade de justificar a sua obesidade? Por quê culpar a hereditariedade, os genes?

 

Essa resposta é complexa e, assim como tantos outros preconceitos, foi construída há anos.

 

 

História

 

Houve uma época em que a obesidade era considerada o padrão de beleza. Os conceitos de imagem corporal na Renascença, por exemplo, associavam a miséria e pobreza à fome e um corpo magro. Os reis e líderes possuíam maior concentração de gordura, claro sinal de poder e prosperidade.  A arte desse período reflete este retrato da obesidade: as pinturas que representam a fertilidade e saúde mostram mulheres mais pesadas. Os retratos dos homens prósperos e bem-sucedidos (pelas vestimentas) também refletem pessoas com maior peso (sobrepeso/obesidade).

 

Título: Venus and Adonis; Artista: Peter Paul Rubens; Data aproximada: 1630. Copyright: Hulton Fine Art Collection. Pintura de Rubens, disponível em: http://www.bbc.co.uk/guides/zt6jq6f

 

Na mesa, à realeza, eram sempre servidos porcos assados nas comemorações e, na ausência de porcos, ofertava-se cordeiros. Apenas em situações extremas, como para soldados feridos nas batalhas, eram servidos os cozidos de carnes. Frutas e vegetais eram disponíveis para toda a população, uma vez que os plebeus eram agricultores. O pão, pela facilidade no preparo e disponibilidade do trigo, constituía a maior parte da refeição dos plebeus.

 

 

Quando isso mudou?

 

Durante a revolução industrial houve uma transição. O número de carros aumentou e as pessoas passaram a caminhar menos. A emancipação feminina fez com que as mulheres, que antes ficavam reclusas, começassem a trabalhar na indústria, com o consequente aumento de gasto energético e perda de peso. Com isso ocorre uma modificação da imagem do corpo da mulher. Nesse contexto, iniciado na revolução industrial, a obesidade passa a deixar de significar riqueza e saúde e passa a ser associada à preguiça. Ao mesmo tempo, o excesso de gordura passa a ser considerado como uma forma “abominável de doença”.

 

 

Hoje

 

Apesar dessas ideias terem surgido no passado, a obesidade ainda é vista com preconceito. É muito comum escutarmos que determinada pessoa é obesa, "porque é preguiçosa". Ou que “precisa criar vergonha na cara e perder peso”. 

 

A imprensa (modelos photoshopadas) e as redes sociais reforçam e influenciam a imagem que a população tem de pessoas obesas. A consequência disso é devastadora: para crianças obesas, por exemplo, gera uma intensa insatisfação com o próprio corpo, bullying, distúrbios alimentares e auto-mutilação. Esses efeitos não são exclusivos das crianças. Mulheres e homens também são expostos a ideais de corpos que nunca serão atingidos.

 

E o que é pior: as pessoas, desesperadas por se encaixarem nesse padrão de beleza imposto, compram o que as influenciadoras digitais são pagas para vender. Ou seja: chás, comprimidos, biscoitos especiais e tantas outras coisas.

 

Todos devemos julgar menos. A gordofobia é tão inadmissível quanto outras formas de preconceito. Além disso, a não aceitação da forma física do outro demonstra também a incapacidade de aceitar a si próprio. Na vida, passamos por várias modificações e nunca conseguiremos manter a nossa forma física com a passagem dos anos. 

 

Por que as pessoas obesas sentem a necessidade de justificar o seu peso? Porque essa resposta é cobrada pela população.

 

 

Referências

 

SERMO. The History of Obesity – The Renaissance to 1910. 2015. Disponível em: http://blog.sermo.com/2015/07/02/history-obesity-renaissance-1910/

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