Raio-X do alimento: Mel

15/04/2020

Hoje o tema no post é no minimo doce... Traremos como assunto, o mel! Por definição, trata-se do produto natural de abelhas obtido a partir do néctar das flores, de secreções (de excreções de abelhas) de partes vivas das plantas. Vamos começar o texto vendo os três principais tipos de mel que encontramos no país:

  • Silvestre: é proveniente de diversas e diferentes flores, sendo o mais consumido no Brasil.

  • De flor de eucalipto: apresenta uma coloração mais escura e sabor mais intenso que os demais.

  • De flor de laranjeira: Conta com sabor mais suave e coloração mais clara.

Cabe ressaltar que, de acordo com as zonas geográficas e condições climáticas das floradas, cujo néctar será colhido pelas abelhas para a produção de mel, características como cor e sabor apresentarão variação, resultando num produto único! Adicionalmente, classifica-se o mel em categorias de mel verde, que possui excesso de água e ainda não recebeu suficiente inversão de açucares por ação das enzimas, ao passo que temos o mel maduro, a forma que consumimos, que se apresenta como denso e com pouco teor de água.

 

 

​E quais benefícios o mel traz à saúde?

Quimicamente o mel é composto por açúcares (aproximadamente 80%), pouca água e conta com outros constituintes em proporções menores tais como sais minerais e vitaminas, ácidos orgânicos e compostos fenólicos. Proteínas (perto de 0,5% da composição) estão presentes no mel, como enzimas (α-glucosidase, catalase e glicose oxidase), mas também como aminoácidos individuais (como a prolina, além de mais de 20 aminoácidos). 

 

O mel contém pequenas quantidades de vitaminas do complexo B como tiamina (B1), riboflavina (B2), ácido nicotínico (B3), ácido pantotênico (B5), piridoxina (B6), biotina (B8 ou H), ácido fólico (B9) e vitamina C. O conteúdo mineral no mel varia de 0,04%, em méis claros a 0,2%, em méis escuros, sendo potássio o elemento mais abundante.

 

O mel conta com boas quantidades de carboidratos (principalmente glicose e frutose), figurando como uma especial e rápida fonte de energia - e pode funcionar na combinação de lanches pré-treino, como explicado aqui anteriormente. Além disso conta com compostos que podem ter potencial antimicrobiano e ação antioxidante. 

 

Pesquisas mostram que bactérias causadoras de algumas doenças podem ser sensíveis à ação antibacteriana do mel, pela presença de compostos como ácido glucônico, peróxido de hidrogênio (comercialmente conhecido como água oxigenada) produzido enzimaticamente pela glucose oxidase. Dentre esses microorganismos estão a Haemophilus influenzae, responsável por infecções respiratória e sinusites, Mycobacterium tuberculosis, que leva a tuberculose, Klebsiella pneumoniae e Streptococcus pneumoniae, que causa a pneumonia. Comumente o mel é consumido para amenizar alguns sintomas de doenças respiratórias em parceria com o própolis, que também possui propriedades antibactericidas.Mas deve se ressaltar que nem o mel quanto o própolis não substituem quaisquer formas de tratamentos - que são essenciais para a devida eliminação desses patógenos - dessas doenças, ok?

 

​O mel também conta com atividade antioxidante, com um leque de compostos a exemplo de ácidos fenólicos e flavonoides, atuando na proteção das nossas células contra a ação dos radicais livres, que levam ao processo de envelhecimento precoce, por exemplo. Sabe-se que o estresse oxidativo está intimamente ligado ao aumento no risco de doenças do coração, além do maior risco de desenvolvimento de câncer, portanto, há alguma pesquisas nessas linhas envolvendo o mel.

 

Pelas atividades antimicrobianas, foi relatado que o mel pode exercer um papel positivo nos processos de cicatrização de feridas (relata-se que o mel já era utilizado por algumas civilizações desde a Antiguidade para este fim). Atribui-se ao mel, ação imunoestimuladora (estimula a produção de mediadores do sistema imunológico) e antiinflamatória.

 

 

Como consumir o mel?
O mel pode ser utilizado em substituição ao açúcar refinado em preparações, além de acompanhar muito bem frutas, cereais como aveia e para equilibrar o azedinho típico do iogurte natural. Cabe colocar que muitas vezes o açúcar refinado é considerado como um alimentos de "calorias vazias", no sentido de fornecer muitas calorias, porém sem veicular nutrientes juntos.

 

 

Quais outros cuidados devo ter?

Para evitar a perda da atividade de alguns compostos bioativos, atividade enzimática e, consequentemente, algumas propriedades benéficas, recomenda-se evitar o aquecimento do mel a altas temperaturas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) inclusive, orienta submeter o mel a no máximo de 70ºC. Aliás, a maiorias das pessoas que compraram mel já viram o mel acabar cristalizando - o que não afeta nem um pouco as propriedades nutricionais. Para resolver essa questão, orienta-se dispor o mel em recipiente e deixar em banho-maria (até 45°C) por um período de cinco minutos.

 

Atenção também na hora da compra, pois para um produtor ser autorizado a comercializar produtos de origem animal (como o mel é categorizado), é preciso ter autorização e receber o selo de inspeção a exemplo do Sistema de Inspeção Federal (SIF), concedido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que permite a comercialização em território nacional e fora do país.

 

Vimos que o mel tem inúmeros benefícios à saúde, porém, lembre-se: o mel não deve ser consumido por crianças menores de um ano. Isto porque pode estar contaminado pelo Clostridium botulinum, bactéria causadora do botulismo e, as crianças menores e nesta idade estão mais suscetíveis aos graves sintomas que afetam o sistema neurológico.


Por sinal, o contrariamente a um mito que circula de que o mel nunca estraga, na verdade, ele se deteriora sim, mas ganha maior longevidade em virtude das suas características particulares! O mel apresenta pH baixo, relativamente pouca proporção de água (17 a 22% de umidade) e contém peróxido de hidrogênio, o que confere condições desfavoráveis para o desenvolvimento e crescimento de muitos microorganismos.

 

Referências

Hills SP, Mitchell P, Wells C, Russell M. Honey Supplementation and Exercise: A Systematic Review. Nutrients. 2019;11(7):1586. 

 

Miguel MG, Antunes MD, Faleiro ML. Honey as a Complementary Medicine. Integr Med Insights. 2017;12:1178633717702869. 

 

 

 

 


 

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