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Uma casa no meio do caminho

16/10/2019

Escrito por

Gosto de trazer para o NutS livros pouco óbvios sobre Nutrição. Não que livros específicos não sejam importantes - eles são, e ainda serão abordados aqui - mas muito me atrai a ideia de desenvolver uma reflexão sobre o tema de maneira natural.

 

 

Pois bem, você já foi apresentado(a) ao "Grande magia", de Elizabeth Gilbert, e hoje irá conhecer "Uma casa no meio do caminho". O principal atrativo da história? Ela é real. O segundo? Ela é bem parecida com o inicio da trama do longa-metragem de animação "Up: Altas aventuras", da Disney/Pixar. Sim, você está imaginando certo: o senhor ranzinza de Up realmente existiu! Mas não era um senhor, e sim uma senhora: Edith Wilson Macefield. Que, obviamente, não saiu com sua casa voando em balões, mas realmente era dona de uma casinha e se recusou a vendê-la, sendo a única a permancer no quarteirão em que um grande shopping center começou a ser construido, tal qual na animação.

 

 

Mas vamos ao começo...

 

A frase que acompanha o titulo se chama "Como a amizade com uma velhinha durona mudou a minha vida". Narrado por Barry Martin, o responsável pela obra do shopping center, em parceria com o escritor e produtor Philip Lerman, o livro conta como Barry conheceu Edith por conta da construção iminente, em um contexto em que muitos de seus colegas tentavam convencê-la a vender a casa e, aos poucos, foi se tornando amigo e cuidador de Edith.

 

 

E a Nutrição?

 

Pois bem. O livro traz um relato gradual, importante e ao mesmo tempo leve de como é acompanhar um idoso nos últimos anos de sua vida, e vê-lo pouco a pouco perdendo suas habilidades e independência. Provavelmente quem já teve a experiencia de cuidar de um membro da familia em idade avançada irá se identificar. Nunca é facil, para nenhum dos envolvidos. Tampouco é simples distinguir a linha tênue entre tomar decisões que ajudem o idoso, ou que mais ajudem a si mesmo (passando a fazer atividades do idoso em seu lugar ao invés de deixá-lo adaptar-se às suas limitações, somente para que a tarefa seja feita mais rapidamente e/ou sem desordem). Barry logo identifica isso em seu comportamento, e passa a exercitá-lo.

 

É neste âmbito, principalmente, que emerge o motivo pelo qual este livro está sendo abordado aqui. A alimentação de Edith ganha atenção especial de Barry, e o leva a reflexões e auto-aprendizados que sem dúvidas merecem ser compartilhados.

 

 

À medida em que a amizade de Edith e Barry se desenvolve, as limitações de Edith em relação à compra de alimentos e ao preparo e realização das refeições tornam-se mais e mais aparentes. Barry compromete-se a ajudá-la, esforçando-se para prolongar a autonomia de Edith o máximo possível, mesmo que isso por vezes exija auto-controle e alguns percalços. Como "bônus", sua experiência muda o modo como Barry passa a enxergar o avançar da idade de seus próprios pais.

 

 

 

(O cuidado nutricional na terceira idade foi inclusive tema recente do NutS, confira aqui)

 

 

Impressões gerais

 

Além do enredo interessante (dado pelo passado curioso de Edith que aos poucos vai sendo revelado ao novo amigo) e do entusiasmo inicial causado pela semelhança com a animação lúdica da Pixar, o livro convida à reflexão sobre cuidados com pessoas da terceira idade, bem como sobre o auto-cuidado que o próprio cuidador deve lembrar de ter consigo mesmo, abordando não somente aspectos relacionados à alimentação, como também todo o contexto inerente à situação. Leitura leve e ao mesmo tempo emocionante, com dose extra de admiração por saber que não se trata de ficção.

 

Livro "Uma casa no meio do caminho" ("Under one roof"), Editora Sextante, 1a edição, 2015. 240 páginas.

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