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O problema do botão "encaminhar"

14/08/2019

Escrito por

Em tempos de internet, redes sociais e informações por todos os lados, um problema muito sério vem emergindo. Ainda pior do que as "fake news" é o resultado causado pela equação fake news + ingenuidade dos leigos + boa vontade + botão "encaminhar" do whatsapp e afins. Isto é capaz de gerar um desserviço tremendo para a Saúde Pública, e precisamos entender o por quê.

 

Ser leigo é natural, mas não pode nos inocentar

 

Somos todos leigos, sempre seremos. Uns em física quântica, outros em política internacional, tantos outros em nutrição, e por aí vai... E tudo bem, não há nada de errado nisso. O problema é quando, querendo ajudar, atrapalhamos. E por mais que não seja a nossa intenção, não há como negar que existe uma dose de responsabilidade aí.

 

 

Os grupos de whatsapp

 

Aposto com você que mensagens dos mais variados assuntos pipocam no seu celular diariamente (principalmente se você faz parte de muitos grupos no whatsapp). Apesar da reflexão valer de modo generalizado, não cabe aqui julgarmos os outros temas que não aqueles envolvendo nutrição e saúde. Pois bem. A quantidade de informações erradas ou deturpadas que passam no estilo "telefone sem fio" de pessoa para pessoa, em vez de informar e ajudar, têm o efeito contrário: prestam um enorme desserviço, podendo colocar em risco a saúde das pessoas. E as informações de boa qualidade - coitadas - se embaralham nesse mar de encaminhamentos, perdendo seu propósito. Trata-se, portanto, de um duplo desserviço!

 

Mas como saber identificar conteúdos não-confiáveis sobre Nutrição?

 

Desconfie de toda e qualquer mensagem muito "milagosa" (exemplo veridicamente já recebido: "comer fruta de estômago vazio cura câncer"). E fique atento(a) às estratégias mais usadas nestas mensagens para fazer bobagem parecer coisa importante:

 

● Citar nomes de pessoas, teoricamente cientistas e/ou nutricionistas, médicos e outros profissionais de saúde. Que muitas vezes são pessoas que existem, mas que não respondem por aquele texto. E, acredite, em muitas outras, são personagens fictícios!

 

● Apresentar possíveis resultados de estudos (mesmo que o tal estudo seja algo como "tal médico deu a dieta da fruta a 10 pacientes e com isso curou o câncer de todo mundo"). Não é assim que a ciência é feita.

 

● Um dos argumentos mais nocivos é questionar a eficácia de um tratamento tradicional ao apresentar a nova "solução". No exemplo citado sobre as frutas, e texto incentivava a recusa a tratamentos quimioterápicos em detrimento da dieta "mágica"! Você pode imaginar como esta leitura pode ser absorvida por um paciente com câncer ou um de seus familiares?

 

● Um dos mais baixos argumentos, a meu ver: falar em algum momento que tal alimento causa (ou cura) doenças atuais que nas gerações passadas não existiam. Taí uma mentira muito absurda! Já abordamos inclusive este tópico aqui, com um enfoque voltado à análise errônea de dados que levam a conclusões falsas (um outro problema que frequentemente se espalha em encaminhamentos como os que motivaram este texto). 

 

Então pedimos a você, leitor(a) do NutS, que combata diariamente a propagação de desinformações, principalmente aquelas que podem piorar a saúde e qualidade de vida de quem acreditar no que lê. 

 

 

Como combater a viralização de desinformações?

 

● Não encaminhando mensagens cujo autor ou veículo você não conheça. Não atrapalhar já é uma grande ajuda!

 

● Caso desconfie do conteúdo, uma breve e indolor "googlada" tem grandes chances de ajudar. Muitas vezes basta isso para descobrir que o tal texto é um boato que circula na internet desde os tempos mais primórdios e que tudo não passa de bobagem.

 

● Sites como boatos.org e o "É fato ou fake?" estão aí para isso. Caso saiba que tal texto não passa de boato, compartilhar a explicação com quem lhe encaminhou a mensagem-bomba é algo muito útil (mais ainda se a pessoa que encaminhou para a lista toda resolver se redimir e repassar adiante a explicação também).

 

● Preze pela multiplicação de informações cuja procedência você confia e/ou tem como confirmar (dica: veículos sérios e principalmente fontes oficiais de órgãos públicos, universidades e de agências de fomento à pesquisa fornecem informações confiáveis e baseadas em evidências). 

 

● Estimule o pensamento critico daqueles que sempre caem na tentação e clicam em "encaminhar" sem nem pensar duas vezes: compartilhe este texto! 

 

PS: Você também já recebeu o texto da dieta da fruta de estômago vazio? Confira o que o site boatos.org tem a dizer sobre ele aqui.

 

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