Saudades de um pão de queijo



O NutS de hoje vem muito do coração, porque é a receita de pão de queijo da minha amada avó, que deixou uma saudade imensa desde que partiu, há quase 7 anos. Uma das formas de demonstração de afeto da minha avó era pelas incríveis comidas que fazia. Mineira, sempre lembro dela com muito carinho na cozinha, preparando lanches rápidos para os numerosos filhos, noras, genros e netos, como mistos quentes. Mas além disso, minha avó sempre tinha à mão seus deliciosos pães de queijo. Tínhamos também acesso irrestrito à uma geladeira cheia de refrigerantes e vivíamos para os domingos em que íamos à sua casa. Quando passamos a morar longe da minha avó, ela sempre vinha nos visitar e dizia “se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé”. E, quando chegava em São Paulo sempre fazia os pães de queijo pra gente. Quando já não tinha tanta força para misturar/incorporar/sovar a massa do pão de queijo com as próprias mãos, minha avó os trazia congelados em um isopor enorme, para que pudéssemos armazená-los por períodos mais longos. Nessa época ela precisava da ajuda de uma batedeira, cuja paleta foi feita especialmente pra ela, para que ela pudesse bater a massa do pão de queijo. E estou falando de uma época em que não tínhamos pães de queijos disponíveis nos congeladores dos supermercados. Aliás, hoje, quando experimentamos os pães de queijo industrializados, nós sempre pensamos: “não, não chega aos pés do pão de queijo da vovó”. E nós sempre falávamos pra ela:

- Vovó, você precisa fazer esses pães de queijo pra vender, você ficaria rica.

Ao que ela respondia:

- Não, não compensa.

O carinho para fazer os pães de queijo era tão grande, que o ingrediente principal, o queijo, minha avó encomendava de Minas. Salvo engano, o polvilho ela também mandava trazer de Minas. Mas lembro que tinha um queijo específico que ela gostava de usar. E ela dizia que ninguém pagaria na unidade do pão de queijo o que ele de fato valia. E, hoje, eu concordo: não há dinheiro no mundo que pague um daqueles pães de queijo.

Felizmente, minha avó deixou muitos livros de receitas que escreveu à mão, que nos é muito caro e que estão com as minhas tias. E minha prima teve a presença de espírito de sentar com a minha avó e pegar a última receita (pois vamos modificando as receitas com a prática e o tempo) do seu especial pão de queijo. E é essa que eu compartilho hoje com vocês. Meu tio já fez essa receita algumas vezes (nunca experimentei), eu fiz e meu pai tentou fazer nesses últimos dias. Confesso que, apesar de ter feito essa receita algumas vezes, não chega aos pés do pão de queijo da minha avó e acho que nenhum que eu vá experimentar chegará lá. Mesmo que seja o queijo mais especial do mundo.

Para a receita do pão de queijo da minha avó, vocês vão precisar:


INGREDIENTES

  • 1 kg de polvilho doce

  • 1 copo de requeijão de leite

  • 1 copo de requeijão de óleo

  • 1 colher de sobremesa de sal (vai depender do queijo que usar)

  • 700 – 800 g de queijo minas ralado

  • 8 a 10 ovos

MODO DE FAZER

  • Reserve o polvilho doce em uma bacia.

  • Ferver o leite, o óleo e o sal.

  • Quando atingir o ponto de fervura, jogar em cima do polvilho.

  • Esperar (10-12 minutos) até ser possível manusear a massa.

  • À medida que for amassando, colocar os ovos. Um de cada vez até dar o ponto de enrolar. Para enrolar, usar óleo nas mãos.

  • Assar em forno médio-alto.


A receita que eu tenho da minha avó é essa. Não tenho informações sobre rendimento (mas dá bastante pão de queijo, acho que umas 4 assadeiras cheias), temperatura do forno, calorias, nada disso. Hoje, eu só consigo falar desse lugar. O lugar da saudade. E eu espero que tenham tido a mesma sorte que eu tive, de ter uma vida cheia de memórias afetivas.


Para quem quiser conhecer um pouco mais a minha avó, a revista Piauí, em 2011, publicou um diário que a minha avó escreveu e que ficou muito legal. Também acesso de vez em quando para matar a saudade, claro, conhecendo os personagens. A matéria se chama "Destino: delete" e está disponível aqui.

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