• Clarissa T. H. Fujiwara

Raio-X do alimento: Linhaça

E no post da semana, vamos explorar mais sobre a linhaça (Linum usitatissimum L. - que em latim significa "muito útil"), ou também conhecida como linho (que tende a ser utilizado quando utilizado para fins industriais, como para indústria têxtil), originária do continente asiático e utilizada há mais de 5.000 anos. A haste da planta produz fibra de boa qualidade com alta resistência e durabilidade, enquanto a semente - o foco do nosso texto - fornece diversos compostos bioativos.

Atualmente, os principais países produtores de linhaça são o Canadá - o maior produtor mundial, Índia, China, Estados Unidos e Etiópia.

E o que a linhaça tem?

Quando se avalia a composição centesimal, a semente de linhaça é composta por cerca de 43% de carboidratos totais, sendo 3/4 desse montante de fibras alimentares, um carboidrato não-digerível). Além disso, possui aproximadamente 14% de proteínas - contendo aminoácidos essenciais, sobretudo metionina e cisteína - e 32% de gorduras.


Aliás, é justamente nessa fração, a de gorduras, que exploraremos melhor adiante, pois é fonte de gorduras poliinsaturadas, especialmente do ácido α-linolênico (ALA) e, em menor quantidade, ácido linoleico. O ALA no corpo humano pode ser convertido em EPA (20:5n–3) e DHA (22:6n–3) por mecanismos enzimáticos, embora essa taxa de conversão seja tipicamente pequena, inferior a 0,5%. O consumo de ALA pode aumentar a concentração sanguínea de EPA e DHA que, em conjunto, possui propriedades antiinflamatórias e protetoras da saúde cardiovascular, possivelmente melhorando os níveis de pressão arterial. Sugere-se como possível mecanismo antiinflamatório do ALA, em última instância, aumento da vasodilatação sistêmica e redução da pressão arterial.

Ainda, a semente de linhaça é fonte significativa de fibras alimentares solúveis e insolúveis.

A maior fração de fibras insolúveis consiste em celulose e lignina, e as frações de fibras solúveis são as gomas de mucilagem (representa cerca de 8% do peso da linhaça) que se tornam viscosas quando misturados com água ou outros fluidos e têm papel importante laxativo. A fibra da linhaça também desempenha papéis na redução dos níveis de glicose e colesterol no sangue, retardando e reduzindo sua absorção no intestino.



Fonte: Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). UNICAMP, 2011. Além disso, as sementes de linhaça são fonte de magnésio e de lignanas, que consistem de um tipo de polifenol, considerado como fitoestrogênios. As lignanas de linhaça desempenham um papel na aterosclerose, incluindo propriedades antiinflamatórias, antioxidantes e angiogênicas


Embora necessitem de mais pesquisas, as doenças cardiovasculares sejam provavelmente as áreas mais bem pesquisadas que mostraram evidências de ação benéfica para a linhaça, outras áreas como saúde gastrointestinal e diabetes também se mostraram potencialmente benéficas aos efeitos da linhaça na dieta.

Em indivíduos com sintomas de doenças cardiovasculares, a linhaça na dieta mostrou diminuição da pressão arterial sistólica e diastólica em pacientes com doença arterial periférica. Em adição, a avaliação de 15 estudos, compreendendo 1302 indivíduos, observou-se reduções significativas na pressão arterais após a suplementação com farinha e óleo de linhaça. Similarmente, metanálise sugeriu que o consumo da linhaça poderia em potencial diminuir ligeiramente a pressão arterial, especialmente a pressão arterial diastólica, quando consumida a semente inteira durante período superior a 12 semanas.

Como incluir a linhaça na alimentação? A semente de linhaça pode ser consumida integralmente, na forma de farinha ou somente o seu óleo. Descrita com aroma agradável de noz, ela é versátil, pode ser adicionada a frutas, iogurtes, vitaminas ou a preparações como bolos, muffins, pães, granolas, biscoitos e até saladas.


É necessário ter atenção sobre a suscetibilidade à deterioração do conteúdo de óleo presente no interior da semente de linhaça à exposição à luz, calor e oxigênio, causando perda em termos de qualidade e rancificação. Por exemplo, O processo de cocção em forno a até 178 ℃ por duas horas não altera a composição ou o conteúdo de ALA em muffin. No mercado, há farinha de linhaça estabilizada que impede que os ácidos graxos sofram oxidação após o processo de moagem.

Referências Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA). Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) Campinas: NEPA, UNICAMP; 2011.


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