• Andrea D. Toledo

PANC: Plantas alimentícias não convencionais


O termo PANC é utilizado para definir as plantas alimentícias não convencionais, que são todas as plantas consideradas comestíveis, porém não globalmente comercializadas e conhecidas. São normalmente consumidas regionalmente por populações específicas.


Se você comparar o número de plantas comestíveis que existem, com as convencionais que são comumente comercializadas nas feiras e mercados, vamos perceber que elas são uma parcela muito pequena de toda diversidade que temos em termos de plantas alimentícias.


E por que faz parte da nossa alimentação cotidiana uma parcela tão restrita das plantas comestíveis?


Como as plantas consideradas não convencionais não são produzidas ou comercializadas em grande escala, seu cultivo e uso pode cair no esquecimento. Sabe aquela folha de antigamente, que hoje em dia quase ninguém conhece? Que sua avó conhecia ou um tio produzia no sítio? Então, hoje ela é chamada de PANC.


Promover o consumo das PANC, que já estão esquecidas, é uma forma de resgatá-las para o nosso cotidiano, ajudando a valorizar as culturas alimentares nas quais essas plantas fazem parte. É preciso aprender com os agricultores antigos a sabedoria da roça, ajudar a preservar a forma de cultivar e consumir esses alimentos, para que esses conhecimentos não desapareçam.


Como diferenciar uma PANC de uma planta alimentícia convencional?


O que não é convencional para o meu cotidiano, pode ser convencional e tradicional para outro povo e cultura. Nesse sentido, é preciso um pouco de cautela, para o que é considerado PANC, tudo depende de com quem você está dialogando. Por exemplo, plantas amazônicas serão não convencionais para um paulista, e convencionais para um morador de Belém ou Manaus. A ora-pro-nóbis, a taioba é bastante famosa na região mineira, onde não é considerada uma PANC.


Uma vantagem importante na utilização das PANC é que todas as regiões do país possuem um grande potencial para cultivá-las, sejam elas nativas ou não. Pois muitas das hortaliças e legumes convencionais, como por exemplo a couve, a cenoura e a batata, possuem cuidados muito semelhantes em relação ao seu cultivo, precisam de solos férteis, com irrigação periódica e luz solar abundante. Já muitas das PANC, não necessitam de tantas condições favoráveis, podendo ocupar espaços onde há pouca insolação, ou em solos que não sejam tão férteis, ou úmidos ou secos demais para as culturas convencionais. Isso possibilita que os agricultores, aproveitem áreas antes improdutivas; por possuírem exigências sazonais distintas, trazendo uma oferta maior de alimentos ao longo do ano. Podendo optar por espécies mais resistentes, sem grande custo.


PANC e alimentação saudável, existe relação?


As PANC ajudam a variar o cardápio e ampliar o nosso repertório de sabores, isso significa, provar coisas novas e se surpreender com os sabores incríveis que estavam se perdendo, criar e aprender novas receitas. Aprender o contexto cultural de cada planta nos proporciona, além de usos tradicionais já consagrados, como o entendimento e o respeito por essas culturas. Os costumes alimentares nativos nos ensinam as melhores formas de aproveitar os ingredientes e as várias formas de utilizá-los, já que são comuns àquela localidade.


Nesse sentido, a alimentação variada se traduz em um amplo fornecimento de nutrientes que o nosso organismo precisa, sendo as PANC um ótimo caminho para uma alimentação adequada, saudável e respeitosa. Seja pela riqueza e variedade de nutrientes que elas oferecem, pelo resgate cultural e social que estão atrelados ao seu cultivo e consumo ou pelo seu caráter ambiental de preservação da nossa biodiversidade de forma sustentável.


Vamos conhecer algumas delas?


Seguem algumas PANC de fácil cultivo e ideais para hortas caseiras ou escolares:

Azedinha (Rumex acetosella L.)

Parte aproveitada: folhas.

Preparações: saladas, pratos doces, geleias e sucos.


Capuchinha (Tropaeolum majus L.)

Parte aproveitada: folhas, flores e sementes.

Preparações: molhos, saladas, omeletes e decoração de pratos (flores).


Folha de batata-doce (Ipomoea batatas L.)

Parte aproveitada: folhas (cozidas).

Preparações: tortas, molhos e refogada como acompanhamento.


Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata Mill)

Parte aproveitada: frutos e folhas cruas ou cozidas.

Preparações: feijão, polenta, ensopados, recheio de tortas e sucos.


Vinagreira (Hibiscus sabdariffa L.)

Parte aproveitada: folhas e flores (crus ou cozidos).

Preparações: saladas, pratos salgados e as flores em chás, sucos e geleias.

E as partes alimentícias não convencionais, também são consideradas PANC?


As partes alimentícias não convencionais, também podem ser consideradas PANC. Que, nada mais é, do que as partes comestíveis pouco conhecidas de plantas comuns no mercado. Por exemplo: a batata-doce, suas folhas são comestíveis e amplamente consumidas na Ásia; o mamão verde e seu talo são comestíveis; as folhas de cenoura, beterraba, abóbora; o coração da bananeira, dentre diversos exemplos.


O aproveitamento integral do alimento, diminuindo assim o desperdício de partes comestíveis, é amplamente difundida como uma medida eficiente de saúde pública para melhorar a nutrição das pessoas e contribuir para redução de custo com as compras, pois ao utilizar todas as partes comestíveis do alimento, produzimos receitas mais nutritivas, ricas em fibras, vitaminas e minerais.


Já pensou em incluir as PANCS na sua alimentação?


No próximo post, vamos apresentar uma PANC bastante versátil e de fácil cultivo em casa, aguardem!


Referências:


Guia prático sobre PANCS: plantas alimentícias não convencionais. Instituto Kairós (Org.), Guilherme Reis Raniere (coord.). Instituto Kairós: São Paulo, 2017. 1 ed. Acesso em: 08/10/2021. Disponível em:

https://institutokairos.net/wp-content/uploads/2017/08/Cartilha-Guia-Pr%C3%A1tico-de-PANC-Plantas-Alimenticias-Nao-Convencionais.pdf


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