• Natália P. de Castro

Eu não consigo amamentar. E agora? Qual fórmula devo usar? (bebês de 0 a 6 meses).

O texto de hoje é o primeiro de uma série de posts que venho construindo ao longo das últimas semanas. A pergunta que dá título ao nosso texto de hoje, sempre aparece quando falamos das mães que, por motivos quaisquer, não conseguem amamentar. Por isso, hoje, resolvemos esclarecer alguns pontos importantes das fórmulas que temos disponíveis no mercado brasileiro e visa ajudar vocês, família, a escolherem a melhor opção pro seu bebê que ainda deveria estar sendo exclusivamente amamentados.


Já falamos aqui no NutS que o aleitamento materno até o 2 anos e exclusivo de 0 a 6 meses de idade é a melhor opção para o crescimento e desenvolvimento ótimo do bebê. Na literatura científica, esse fato é incontestável. O leite materno é rico em nutrientes e anticorpos como nenhum substituto. Também ressaltamos a importância de esgotar todas as alternativas que viabilizem o aleitamento materno. Escrevi sobre isso no meu texto anterior, intitulado "O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade como causa social, feminista e fundamental". Na impossibilidade de amamentar, temos opções. Todas elas, infelizmente, tem custo elevado (estimamos que, no sexto mês de vida, sejam consumidos 490 g de fórmula/dia, ou seja, uma lata de 800g - R$64,00, para cada dois dias). E o leite de vaca, como o compramos nas padarias e supermercados, ao contrário do que muitos acreditam, não é uma dessas opções. Explico: o leite da vaca não é completamente absorvido pelo sistema digestivo imaturo do bebê e, por conter altas concentrações de proteínas e minerais, pode sobrecarregar os órgãos vitais, como fígado e rins. Portanto, quando esta é a situação, recorremos às fórmulas infantis, que, em sua maior parte, são feitas a partir do leite da vaca modificado. Entre as modificações feitas pela indústria para atender as diferentes necessidades dos bebês, está a transformação das proteínas do leite da vaca, que podem ser parcialmente ou extensamente hidrolisadas (ou quebradas), para que sejam mais bem absorvidas pelo sistema digestivo imaturo do bebê.


No mercado brasileiro, dispomos das seguintes fórmulas infantis para crianças de 0 a 6 meses:



Figura criada pela autora usando imagens da internet. Caso você, leitor(a) conheça alguma outra fórmula que não tenha sido citada pelo presente artigo, entre em contato conosco e nos comunique.


Com essas opções no mercado, qual devo ofertar para o meu bebê?


Idade


Primeiramente, devemos considerar a idade do bebê: quando ele/ela vai começar a receber a fórmula? É um neném prematuro? Está internado na maternidade? Caso positivo, a maternidade na qual o bebê se encontra internado (por prematuridade) tem um banco de leite? Seria uma possibilidade o bebê receber o leite materno associado à alguma fórmula ou essa opção não foi discutida com os pais?


No caso do bebês prematuros extremos (com menos de 32 semanas de vida), há evidências que sugerem que o início da alimentação a partir do 3o dia de vida, com incrementos diários de 30mL/kg/dia, pode reduzir o tempo de mamada completa sem aumentar os riscos (Parker et al., 2021). Não há no mercado muitas fórmulas específicas para bebês que nasceram antes do tempo.


A Nestlé oferece o pré-NAN, a Mead Nutrition oferece três tipos diferentes de fórmulas, o Human Milk Fortifier (para adicionar ao leite materno) e o Enfamil prematuro premium (ambas de uso intra-hospitalar) e a Danone ofereEnfamil Enfacarece o Aptamil Proexpert Pré Transition. Isso não significa que não seja possível usar outras fórmulas para as crianças prematuras, mas estas foram criadas especificamente para crianças que nasceram antes do tempo. As empresas não são claras sobre por quanto tempo o bebê deve usar a fórmula, mas os rótulos sugerem por cerca de 3 meses.


Para crianças que nasceram à termo, é possível usar todas as fórmulas (Fase 1 - destinadas aos bebês de 0 a 6 meses) disponíveis no mercado e mencionadas acima. Contudo, algumas delas são indicadas para situações especiais.


Outras questões a serem consideradas:

  • O seu neném consegue mamar, mas precisa de um complemento? Nesses casos, as fórmulas mais indicadas são as mais simples, sem a necessidade de incremento com ácidos graxos essenciais (uma vez que o bebê conseguirá obter determinados nutrientes da dieta materna).

  • O seu neném tem alguma necessidade especial? Ele começou a apresentar sintomas que indiquem a necessidade de uma complementação (crescimento e ganho de peso não adequado)? Para cada necessidade especial, tem uma fórmula diferente que pode suprir as necessidades do seu neném.


Abaixo, segue um fluxograma que será bem útil para as famílias que precisam recorrer às fórmulas presentes no mercado. Atenção: essa decisão não precisa ser feita exclusivamente por você, família. Mas as informações contidas aqui irão munir nossos leitores com a bagagem necessária para saber qual a fórmula pode se adequar mais ao seu bebê. Tudo isso deve ser discutido com o profissional de saúde que acompanha o seu pequeno.





A imagem do fluxograma, não está nítida no site. Mas, é possível ver o esquema nítido clicando no link abaixo e baixando a figura.



Fluxograma
.pdf
PDF • 3.20MB



Entendam que o nosso texto de hoje em nenhum momento promove o aleitamento artificial em detrimento ao aleitamento materno, que será sempre defendido por nós com garras e dentes como a melhor opção existente para crianças até os 2 anos de idade. O texto de hoje foi fruto de uma necessidade que observamos na prática: quando todas as possibilidades foram esgotadas e a amamentação exclusiva não for uma opção (o que pode ser um processo extremamente doloroso para as mulheres), conectar-se com o filho de outra forma é necessário, e isso inclui o conhecimento sobre o que ele está mamando.


Reiteramos que o presente texto obedece as normativas estabelecidas pela lei nº 11.265, de 3 de janeiro de 2006.






Referências

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33675303/


Últimos posts
Tags