Raio-X do alimento: Lichia

09/09/2020

Uma fruta que costuma aparecer nos mercados e feiras brasileiras lá para o final de ano, de sabor doce e suave - ligeiramente ácido (que pode remeter ao de uvas), a lichia (Litchi chinensis), apresenta origem asiática e no seu exterior possui a típica casca com protuberâncias de coloração vermelho-rosada que protege no interior a polpa de coloração esbranquiçada que, por sua vez, recobre a semente marrom-escura.

No Brasil, a lichieira, árvore que produz o fruto, foi inicialmente trazida no começo do século XIX como planta ornamental e, atualmente, para a fruticultura principalmente nos municípios do interior do Estado de São Paulo.

 

E o que a lichia tem?

Na tabela abaixo, podemos visualizar os valores nutricional da polpa de lichia para 100 g do alimento. 

Apenas para referência, 1 unidade de lichia apresenta cerca de 9,6 g.

 

Fonte: U.S. Department of Agriculture. National Nutrient Database for Standard Reference.

 

As lichias são compostas por mais de 80% de água, com o restante preponderantemente composto por carboidratos - contidos na forma de frutose, que proporciona o sabor adocicado. Em 100g de polpa de lichia, há cerca de 66 kcal, relativamente um baixo valor calórico.

 

Estima-se que 10 unidades de lichias, forneçam quase 100% e 80% das recomendações diárias de ingestão de vitamina C para mulheres e homens, respectivamente.

 

Por isso, pode ser uma boa opção para quem busca a perda de peso. Outro ponto importante é a boa quantidade de fibras da fruta, o que colabora com a sensação de saciedade prolongada.

 

 

A lichia é rica em vitamina C, um composto que pode contribuir em vários aspectos do organismo. Caso da manutenção da imunidade e da produção de colágeno. Mas há ainda relação entre a vitamina C e a prevenção de doenças cardiovasculares, dos olhos e até mesmo controle do nível de colesterol no sangue.

 

A lichia também tem bom nível de polifenóis, como a epicatequina – que pode contribuir para reduzir o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer e até mesmo diabetes. Há outro antioxidante poderoso, a rutina. Ela pode auxiliar na melhora da circulação sanguínea, e, consequentemente, no alívio de dores decorrentes de varizes.

 

 

Você ouviu falar?

 

Foram descritos casos por pesquisadores da Índia e dos Estados Unidos, desde meados da década de 90, na região indiana de Muzzaffarpur, conhecida por ser a maior área de cultivo de lichias no país, alterações sensoriais e convulsões, chegando em algumas situações até o coma e óbito, acometendo crianças sem histórico de quaisquer doenças neurológicas.

 

Uma das possíveis hipóteses entre a relação do consumo de lichia e o surtos seriam a presença de hipoglicina A e MCPG (metileneciclopropilglicina) - presentes em maior concentração na lichia não-madura, substâncias que podem levar em última instância à queda dos níveis de glicose no sangue e também às encefalopatias (prejuízos ao funcionamento cerebral normal - considerando que a glicose é a fonte de energia para o cérebro), que seria mais grave particularmente em crianças que não realizaram refeição noturna nas 24 horas anteriores ao início dos sintomas.

 

O quadro se associou ao consumo de lichia não-madura, em grandes quantidades, na ausência de refeição noturna nas 24 horas anteriores ao início dos sintomas e, além disso, vale considerar que parte das crianças não tinham acesso à rotina de higienização de hortaliças e eram provenientes de famílias de menor nível socioeconômico - abaixo da linha da pobreza e por residir em regiões de plantações de lichia, tinham acesso a grandes quantidades dos frutos de lichia ainda verdes durante a safra.

 

Apesar da descrição dos casos, é necessário enfatizar que se tratam de casos em circunstâncias específicas e ainda não bem estabelecidas. Exceto por alergias, quando consumidas com moderação e fazendo parte de uma dieta saudável, as lichias agregarão benefícios à saúde.

 

 

Referências

Shrivastava A, Kumar A, Thomas JD, et al. Association of acute toxic encephalopathy with litchi consumption in an outbreak in Muzaffarpur, India, 2014: a case-control study. Lancet Glob Health. 2017;5(4):e458-e466. doi:10.1016/S2214-109X(17)30035-9.

 

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