Respeitar a saciedade sem estimular o desperdício: sim, é possível!


Aprender a identificar e a respeitar os sinais de saciedade que o corpo manifesta é de grande valia para a regulação e manutenção do peso corporal. Você já deve ter ouvido que comer em ambiente calmo, sem pressa e com atenção à comida (sentindo os cheiros, sabores, temperaturas e texturas dos alimentos) contribui para estimular a saciedade e dar o tempo necessário ao cérebro para que ele identifique, hormonalmente, que é hora de parar.


Este exercício realmente é muito válido, e ajuda bastante na adoção de hábitos mais saudáveis em relação à alimentação.


Porém, ao mesmo tempo, aprendemos desde pequenos algo que fica enraizado em nossos hábitos. Você provavelmente deve ter crescido ouvindo de seus pais e/ou avós que "é feio deixar comida no prato" e que todo desperdício deve ser evitado, por razões econômicas, ambientais e sociais. Este é um pensamento evidentemente sensato, e que também merece ser respeitado. Mas como combinar ambas atitudes, que parecem divergir?




Saciedade e desperdício: dois lados da mesma moeda?


Respeitar os sinais de saciedade durante as refeições e evitar o desperdicio de alimentos não são ações excludentes. São comportamentos que podem sim ser praticados concomitantemente. Confira a seguir algumas dicas para não ceder ao desperdício de alimentos enquanto exercita a saciedade. Em tempos de celebrações de fim de ano e férias, oportunidades para praticar não faltarão!



Quebrando o paradoxo


● Diferenciar fome e vontade de comer nem sempre é simples, mas também pode (e deve) ser praticado. Ao realizar refeições com mais calma e atenção, a separação destas sensações vai se tornando mais fácil e natural.


● Tudo começa com a quantidade de comida que se põe no prato. Quando estamos com fome, o apetite "mascara" nosso senso de controle, e frequentemente nos servimos comquantidades maiores do que realmente seria suficiente para nos saciar (tanto em relação à fome quanto à vontade de comer). Pode parecer batido, mas colocar no prato uma quantidade ligeiramente menor do que o seu apetite está sugerindo realmente ajuda.


● Neste sentido, restaurantes por quilo são ótimos! Você escolhe exatamente o que vai comer, pode diversificar bastante as escolhas, e só paga pelo que escolheu consumir.


● Em restaurantes onde não é possível escolher o tamanho da porção, não se deve ter vergonha ou receio de solicitar para que o restante seja embrulhado e levado para casa. Esta prática é comum, socialmente bem aceita e também o melhor a ser feito. Uma vez servida, a comida deixada pelo cliente não pode ser destinada a outras pessoas, por isso caso recusada, irá para o lixo. Se você já pagou por ela, por que não levá-la para casa para comer mais tarde? Ela pode até mesmo virar ingrediente de alguma outra preparação.



● Quem nunca comeu a última bolacha do pacote simplesmente porque ela estava lá, sozinha? É nesta dica que muita gente se reconhece: a antipatia gratuita por guardar pequenas porções de sobras de alimentos. Mentalize algo importante: se você já estiver satisfeito(a), o excedente será guardado, independente de onde. Se o alimento não vai estragar se for guardado para mais tarde, por que forçar sua ingestão guardando-o no seu tecido adiposo?! Não há problema algum em armazenar restos pequenos de porções de alimentos para comê-los em outro momento! Arroz e feijão, massas, pizza, carnes, bolos, biscoitos, doces, salgadinhos, não importa! Se você sentiu que a saciedade chegou, controle o pensamento de "Ah, mas já está quase no fim... por que eu iria guardar somente um biscoito de volta no armário?" Porque o seu corpo e a sua mente não precisam dele agora! Você tem o suficiente no momento, a fome já foi saciada e até mesmo a vontade de comer já não está mais se manifestando. Não há razão para "empurrar" nutrientes e calorias para dentro, e ainda correr o risco de ter uma má-digestão.


● Recuse maximizar suas porções. Em redes de fast-food, é muito comum que a bebida e o acompanhamento sejam incrementados por um pequeno acréscimo no preço. Pode parecer tentador, mas a menos que você tenha com quem dividir a porção maxi, não faz sentido pagar a mais para se forçar a comer a mais.


● Se decidir comer mais mesmo após os sinais de saciedade chegarem, priorize motivos "justificáveis". Você já comeu o suficiente, mas está em algum evento social e a vontade de comer aquele alimento especial permanece? Você está em alguma situação em que caso você não termine a porção que começou, ela não poderá mais ser servida a nenhuma outra pessoa e também não poderá ser embrulhada e guardada para comer mais tarde? Se estas situações forem exceções, não precisa se preocupar.


Aos poucos, fazer escolhas que respeitem sua saciedade sem causar desperdício de alimentos será mais natural, e isso trará benefícios para a sua saúde, para o meio ambiente e para o seu bolso!





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