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Entendendo o seu perfil lipídico

25/04/2018

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  Quase todos já devem ter feito, pelo menos uma vez na vida, um exame de sangue para avaliar o perfil lipídico, ou seja, medir as concentrações de triglicérides, colesterol total e suas frações. Sabemos também que concentrações muito elevadas de colesterol total (hipercolesterolemia) e outras dislipidemias são condições que aumentam o risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Por isso, este tema é recorrente quando se fala de Nutrição – inclusive já abordamos aqui o que pode ser feito para ajudar a reduzir as concentrações de colesterol (ou para prevenir dislipidemias).

 

Todos já ouviram falar também que existe o “colesterol bom” e o “colesterol ruim”. Mas você saberia dizer por que um deles é popularmente chamado de “bom” e o outro de “ruim”?

 

 

Afinal, o que é e para que serve o colesterol? E os triglicérides?

 

O colesterol é parte das membranas celulares, onde influencia a entrada e saída de substâncias e a ativação de enzimas. É também precursor dos hormônios esteroides, dos ácidos biliares e da vitamina D. Ou seja, tem diversas ações muito importantes para o metabolismo!

 

Já os triglicérides (ou triacilgliceróis) são partículas formadas a partir de três ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerol, sendo basicamente a principal forma de armazenamento de energia para o organismo (ao serem depositados no tecido adiposo e nos músculos).

 

Porém o colesterol não circula livre no sangue, mas sim associado às lipoproteínas, moléculas que permitem a solubilização e o transporte dos lipídios na circulação. Elas são formadas por lipídios e por proteínas (as apolipoproteínas), e variam quanto ao seu tamanho e densidade.

 

 

Quais os tipos e as funções das lipoproteínas?

 

Comecemos pelas mais conhecidas: a lipoproteína de alta densidade (high density lipoprotein – HDL) e a lipoproteína de baixa densidade (low density lipoprotein – LDL). A HDL é uma lipoproteína que transporta o colesterol das células até o fígado, além de exercer outras funções importantes que contribuem para a proteção das artérias contra a aterosclerose, como a remoção de lipídios oxidados da LDL, a atenuação da expressão de moléculas de adesão, redução da infiltração de monócitos na camada íntima do endotélio (o tecido que reveste os vasos sanguíneos) e a estimulação da liberação de óxido nítrico (um potente vasodilatador). Por isso é que o colesterol transportado pela HDL é conhecido como “colesterol bom”!

 

Já a LDL é uma lipoproteína que faz o caminho inverso: sua principal função é transportar o colesterol até as células do organismo, para que ele seja utilizado em diversas funções celulares. Mas para entender a sua formação, precisamos conhecer outras lipoproteínas menos “famosas”...

 

 

Existem também outras lipoproteínas!

 

A lipoproteína de muito baixa densidade (very low density lipoprotein – VLDL) é formada no fígado e tem como função transportar lipídios pela circulação periférica, sendo composta por grande quantidade de triglicérides. Por ação da enzima lipase de lipoproteína (LPL), presente no tecido adiposo e nos músculos, parte das VLDL tem seus triglicérides hidrolisados, originando as lipoproteínas de densidade intermediária (intermediate density lipoprotein – IDL), as quais não se mantém por muito tempo na circulação. Pela ação da enzima lipase hepática, são formadas as LDL, partículas pobres em triglicérides e compostas principalmente por colesterol e pela apolipoproteína B100.

 

Existe ainda a lipoproteína (a) – Lp(a), formada pela ligação de uma partícula de LDL à apolipoproteína (a). Apesar de associada à formação e à progressão de placas ateroscleróticas, a função fisiológica da Lp(a) ainda não está totalmente esclarecida.

 

 

Mas por que “colesterol ruim”?

 

O excesso de colesterol associado à LDL indica um transporte excessivo de colesterol que, se não for utilizado pelas células, poderá contribuir para a aterosclerose, assim como concentrações sanguíneas elevadas de triglicérides. Este processo se caracteriza pelo acúmulo progressivo de lipídios nas paredes das artérias, o que causa o seu estreitamento e pode chegar a uma possível obstrução. Isto prejudica o adequado funcionamento do sistema circulatório e sobrecarrega o coração, podendo levar ao aumento da pressão arterial e ao desenvolvimento de diversas disfunções cardíacas. Por isso o LDL-c é popularmente conhecido como “colesterol ruim”. Mas como vocês podem ver, ele não é ruim, é na verdade essencial para o metabolismo! Ruim, na verdade, é o seu excesso.

 

Conhecendo a origem e funções das lipoproteínas, fica fácil entender porque todas estas (com exceção da HDL), quando em excesso, contribuem para a processo aterosclerótico. É por isso que medidas elevadas de colesterol total, LDL-c, VLDL-c e triglicérides, e reduzidas de HDL-c, indicam risco cardiovascular aumentado, e podem ser combatidas com medidas que incluem alterações na alimentação e a prática de atividade física.

 

 

 

 

 

Referências

 

Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2017. Arq Bras Cardiol 2017;109:S1-90.

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