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A insegurança urbana e o ganho de peso em crianças e adolescentes

21/02/2018

 

Em áreas urbanas, a presença de calçadas pavimentadas, faixas de pedestres, iluminação pública, interconectividade de rotas e ciclovias são colocados como elementos encorajadores à maior prática de atividade física. Por outro lado, dificultadores consistem no aumento de vias de trânsito de alta velocidade, a dependência do transporte automotivo e, claro, o número reduzido de praças, parques, quadras esportivas, academias ao ar livre e playgrounds. Adicionalmente, entram nesta equação questões sociais relacionadas à insegurança e à violência urbana.

 

O incentivo à prática de atividades físicas em paralelo à redução no dispêndio de tempo em comportamentos sedentários na rotina das crianças e adolescentes, inquestionavelmente, figuram como pontos-chave no combate à obesidade infantil. Você já parou para refletir que fatores ambientais, socioeconômicos e demográficos atuam diretamente na observação dos níveis de atividade física de uma comunidade? Neste sentido, a distribuição espacial e estrutura física de uma cidade refletem um maior ou menor engajamento a comportamentos mais ativos. 

 

 
O impacto da violência não fica restrito somente à redução dos espaços públicos para as - “antigas” - tradicionais brincadeiras de rua, porém a preocupação constante e a sensação de insegurança repercutem negativamente à saúde mental, estando associada ao maior risco de desenvolvimento de transtornos de ordem psicológica. Um estudo que avaliou a percepção dos pais sobre a segurança em áreas urbanas e rurais demonstrou que crianças que viviam em áreas consideradas menos seguras apresentaram risco de excesso de peso 4,4 vezes maior em comparação àquelas que residiam em vizinhanças consideradas mais seguras por seus cuidadores.

 

Concomitantemente, os avanços tecnológicos somados ao crescimento econômico, que permitiu o acesso de mais famílias não somente à televisão, mas se estendendo ao uso do computador, video-games e gadgets como smartphones e tablets, fez crescer a parcela de horas do dia gastas como “tempo de tela”. Além de expor à publicidade direcionada a alimentos ultraprocessados, de elevada densidade calórica e baixo valor nutricional, alguns estudos demonstram que o tempo gasto assistindo à televisão está correlacionado positivamente ao aumento do índice de massa corporal (IMC) em crianças e adultos e, estima-se que cada 1 hora gasta em frente às telas por dia aumenta em 6% o risco de doenças cardíacas fatais e não-fatais, independentemente do nível de atividade física.

 

 

Diante deste cenário, proporcionar espaços seguros em cidades se mostram necessários para o engajamento em práticas recreativas e esportivas a todos e, especialmente à população pediátrica – e neste sentido, esforços intersetoriais direcionados às políticas públicas de saúde, segurança e planejamento urbano que visem um estilo de vida mais ativo são cardinais como medidas de promoção da saúde e prevenção do excesso de peso.

 

 

Referências

 

Andrade Neto F, Eto FN, Pereira TS, Carletti L, Molina Mdel C. Active and sedentary behaviours in children aged 7 to 10 years old: the urban and rural contexts, Brazil. BMC Public Health. 2014 Nov 18;14:1174.

 

Braithwaite I, Stewart AW, Hancox RJ, Beasley R, Murphy R, Mitchell EA; ISAAC Phase Three Study Group. The worldwide association between television viewing and obesity in children and adolescents: cross sectional study. PLoS One. 2013 Sep 25;8(9):e74263.

 

Lumeng JC, Appugliese D, Cabral HJ, Bradley RH, Zuckerman B. Neighborhood safety and overweight status in children. Arch Pediatr Adolesc Med. 2006 Jan;160(1):25-31.

 

Wijndaele K, Brage S, Besson H, Khaw KT, Sharp SJ, Luben R, Bhaniani A,Wareham NJ, Ekelund U. Television viewing and incident cardiovascular disease: prospective associations and mediation analysis in the EPIC Norfolk Study. PLoS One. 2011;6(5):e20058.
 

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