Recomeços

08/05/2017

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Sempre vale a pena recomeçar. Na vida, na cabeça, na alimentação. E segunda-feira ou o começo do ano não são os únicos momentos propícios para isso (aliás, será mesmo que segunda-feira é?!). O recomeço vem de quando se atinge um status, seja ele o fim de um ciclo, uma meta alcançada, uma frustração, um rompimento de ideias, um objetivo conseguido, uma mudança de ambiente, ou tudo isso misturado.

 

O mais importante é que recomeçar não deve ser do 8 pro 80. Façamos um paralelo: quando algo dá errado no trabalho, mudamos de profissão? Quando brigamos com alguém querido, rompemos relações? Quando encontramos um vazamento em casa, trocamos de casa? Não, não e não. Reformulamos, reajustamos, rediscutimos, repensamos e reformamos. Por que deveria ser diferente com algo que nos acompanha todos os dias: a nossa alimentação? Ela está atrelada a hábitos, a comportamentos com raízes. Não faz sentido cortar a árvore! A raiz continua lá... Quando nos propomos a mudar os hábitos alimentares, não faz sentido começar da noite para o dia (ou do domingo pra segunda-feira) um cardápio totalmente novo, repleto de alimentos até então desconhecidos (ou não-apreciados), em quantidades muito reduzidas e horários diferentes das refeições anteriores. Isso estressa o organismo e predispõe à auto-sabotagem, bioquimicamente! 

 

Mais válido é replanejar a alimentação baseando-se no que se procura conseguir com isso (mais saúde, ganho de massa muscular, perda de peso, o controle de alguma doença, etc), mas dando um passo de cada vez, sem abandonar repentinamente os mais diversos hábitos relacionados à alimentação (horários, quantidade, qualidade). Assim, a mudança ganha fôlego para se transformar em novo hábito! Por exemplo: é possível encontrar facilmente em uma banca de jornal ou na internet "dietas" que prometem a perda de 2 quilos em 2 dias, ou de 4 quilos em uma semana. Soa tentador, não?! Mas sejamos francos: quem já ganhou 2 quilos em 2 dias ou 4 quilos em uma semana?

 

Pois é. Por que então acharia normal perder isso em tão pouco tempo (e de modo permanente, como todos sonham) sem que o seu metabolismo achasse estranho? Por isso a proporção de pessoas que reganham peso após dietas restritivas é tão grande... Estudos mostram que a maioria volta ao peso de antes.

 

Às vezes mudanças bruscas são úteis na vida. Às vezes são até necessárias. Mas na alimentação este conceito dificilmente se aplicará com chances de sucesso duradouro, e não há nada de errado em admitir isso.

 

Referências

 

Cleo G, Isenring E, Thomas R, Glasziou P. Could habits hold the key to weight loss maintenance? A narrative review. J Hum Nutr Diet. 2017 Feb 2. doi: 10.1111/jhn.12456. [Epub ahead of print]

 

Curioni CC, Lourenço PM. Long-term weight loss after diet and exercise: a systematic review. Int J Obes (Lond). 2005 Oct;29(10):1168-74.

 

Marlatt KL, Redman LM, Burton JH, Martin CK, Ravussin E. Persistence of weight loss and acquired behaviors 2 y after stopping a 2-y calorie restriction intervention. Am J Clin Nutr. 2017 Apr;105(4):928-935. doi: 10.3945/ajcn.116.146837.

 

Zheng H, Lenard NR, Shin AC, Berthoud HR. Appetite control and energy balance regulation in the modern world: reward-driven brain overrides repletion signals.Int J Obes (Lond). 2009 Jun;33 Suppl 2:S8-13.

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