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Limões, goiabas e a globalização

25/10/2017

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Atualmente, vivemos mundialmente conectados em uma sociedade ultradependente da velocidade, seja ela da informação (com a popularização da internet) ou do transporte (com a aviação). Décadas atrás, o rótulo de “produto importado” trazia consigo o significado implícito de “raro”, e consequentemente de “desejável”. Hoje em dia, tais laços já não estão tão atrelados ao simples fato de um produto provir de um ambiente distante, pois é cada vez mais frequente encontrar – pelo menos nos grandes centros urbanos – produtos (alimentares ou não) das mais longínquas origens à disposição em supermercados e lojas, o que ilustra como a globalização é um fenômeno de impacto direto na alimentação.

 

Por conta disso, é frequente que no dia-a-dia não prestemos tanta atenção ao fato de que aquilo que nos é tão comum pode ser uma iguaria aos olhos dos outros! O limão, por exemplo: uma fruta tão popular no Brasil, na sua versão verdinha (o limão Tahiti), é usado aqui para preparar desde a mais simples salada até a famosa caipirinha. Em muitos países da Europa, o nosso limão também pode ser encontrado sem grandes dificuldades nos supermercados, porém dentro da categoria de “frutas exóticas” e a um preço mais elevado, visto que provém, quase sempre, do México ou do Brasil. Por lá, é o limão siciliano (amarelo) que detém a posição de “limão-nosso-de-cada-dia”! Mas na turma das frutas e hortaliças “globalizadas”, poucas se comparam à goiaba, que pode ser encontrada em mercados franceses embalada individualmente, à vácuo, custando incríveis 10 euros por quilo (o que para nós brasileiros, atualmente, equivale a quase 40 reais)! Aquela mesma goiaba que as feiras e mercados daqui vendem por infinitamente menos...

 

 

Saber que hoje temos ao nosso alcance produtos e alimentos dos mais diversos ambientes é muito interessante. Nos dá o poder de diversificar a alimentação, de variar sabores, de ter acesso ao exótico e antes considerado inacessível. Mas existe um lado menos positivo? Claro! Elevar o preço de venda dos alimentos importados segue a mais básica lógica de mercado, afinal diversos custos extras estão envolvidos para que um alimento seja disponibilizado longe do seu local de origem. Saborear uma goiaba na França (ou um limão siciliano em São Paulo) envolve uma série de etapas de transporte e armazenamento, que atrelam um custo maior (operacional, ambiental), e um consequente maior valor de venda.

 

Faço então um apelo: paremos para refletir com mais frequência sobre o que colocamos ao prato, e que tipos de alimentos escolhemos para fazerem parte da nossa dieta. Pensar sobre Nutrição vai muito além da escolha da qualidade e da quantidade do que comemos. Como seres sociais, somos influenciados pelos mais diversos fatores, e cada um deles deve ser considerado para guiar as nossas decisões! Experimentar novos sabores e diversificar a alimentação é algo muito positivo possibilitado pela globalização, mas às vezes podemos estar dando pouca atenção a alimentos que estão sempre disponíveis ao nosso redor e que têm um preço justo, justamente por serem tão “normais”. Que o diga a humilde goiaba, à sua espera na feira mais próxima! Da próxima vez que encontrá-la à venda, aposto que vai dar uma olhadinha no preço, não vai?!

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