Comer ou não comer, eis a questão!

18/10/2017

 

Fazendo uso da licença poética, tomei a liberdade de adaptar a célebre frase da peça Hamlet, escrita por William Shakeaspeare no final do século XVI, pois ela nos convida a filosofar e minha intenção é realmente propor uma reflexão. Para isso, darei continuidade ao clima teatral e lhes apresentarei a seguir alguns personagens fictícios.

 

O jovem casal Pedro e Melissa passa seus finais de semana curtindo seu programa favorito: assistir à TV juntinhos, compartilhando alguma guloseima. Distraídos com a programação hipnotizante, nem percebem que estão transformando a comida em parte do entretenimento e constantemente acabam exagerando na dose.

 

 Dona Isaura tem passado por tempos difíceis desde que perdeu seu marido há alguns meses e, hoje, sua maior satisfação é comer. Então, sem perceber ela esconde seus sentimentos sob uma generosa camada de comida, dia após dia.

 

Caio faz suas refeições fora de casa, pois mora sozinho e não sabe cozinhar. Um dia destes foi convidado para assistir à final de um campeonato de futebol na casa de seu amigo Douglas e, mesmo tendo acabado de almoçar substancialmente bem, “esqueceu” que não estava com fome e partiu para o ataque aos belisquetes ao ver tantos deles ao alcance de suas mãos e boca.

 

Douglas, por sua vez, lotou sua casa de petiscos para esse momento, pois sentia que merecia uma recompensa após a dura semana que teve no trabalho. No entanto, a rapidez com que devorou a comida não o deixou satisfeito ou aliviado.

 

Raquel é uma pessoa que não sabe dizer não. No aniversário de sua sobrinha, comeu bem mais do que queria ou precisava, pois sua avó – uma cozinheira de mão cheia – insistentemente oferecia as delícias preparadas por ela, dizendo que havia feito tudo com muito amor e que Raquel precisava provar este, aquele e mais aquele outro prato.

 

O que há em comum nestas pessoas? São completamente diferentes, mas todas estão se alimentando sem estar realmente com fome. E em muitos casos, acabam comendo excessivamente e/ou sem controle ou sem critérios na escolha dos alimentos.

 

Os motivos? São os mais diversos... estão comendo por distração, por tédio, para anestesiar uma sentimento, para afastar a solidão, para aliviar o stress, para acompanhar os amigos, para não fazer desfeita ou até mesmo simplesmente por estar perto da comida.

 

É possível que você tenha se identificado muito ou pelo menos um pouquinho com algum destes personagens. Também é provável que conheça alguém que tenha estes hábitos. Por isso, tire um momento para refletir, ou até mesmo convide alguém para esta reflexão: comer ou não comer, eis a questão.

 

Sabemos que os alimentos representam muito mais do que apenas fontes de nutrientes para o nosso corpo, afinal, a comida é importante nos momentos compartilhados com amigos e familiares, nas comemorações e nos mais diversos contextos sociais. Mas em determinadas situações, é preciso atentar para os reais motivos pelos quais está se alimentando.

 

Este simples ato pode ajudar a não nos mantermos no piloto automático e evitar que o “comer sem fome” vire um hábito ou até mesmo um vício. Meditar sobre as reais razões ou emoções que estão nos levando a comer e influenciam nossas escolhas alimentares, pode trazer grandes descobertas sobre nós mesmos e nos ajudar na busca de uma vida cada vez mais saudável.

 

Comer deve ser um ato natural, tranquilo e sem complicações, mas também consciente. Experimente!

Please reload

Últimos posts

Receita: Esfiha de carne

September 16, 2020

1/10
Please reload

Tags
Please reload

Posts relacionados
Please reload

Comentários
  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle

© 2020 por NutS - Nutrition Science. Todos os direitos reservados.