• Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle

© 2018 por NutS - Nutrition Science. Todos os direitos reservados.

Osso: um tecido metabolicamente muito ativo!

21/09/2017

Escrito por

 

A função principal do nosso esqueleto é fornecer sustentação para o corpo. Mas você sabia que o osso é um órgão que produz hormônios e que se relaciona intimamente com diversas vias metabólicas? O tecido ósseo, ao contrário do que muitos imaginam, é muito ativo metabolicamente, e é capaz de influenciar o metabolismo da glicose e o armazenamento de energia sob a forma de gordura, tendo impacto direto na obesidade.

 

Mesmo depois que paramos de crescer, nossos ossos continuam em constante “reciclagem”. Enquanto as células chamadas osteoclastos destroem a matriz óssea (na chamada reabsorção), outro tipo celular – os osteoblastos – a recompõem. Uma das proteínas produzidas pelos osteoblastos é a osteocalcina. Guarde este nome!

 

E o tecido adiposo, além de servir como um estoque de gordura para o organismo, também é muito ativo! O acúmulo excessivo de gordura aumenta as chances de distúrbios no metabolismo da glicose (como o diabetes mellitus), e os ossos têm um papel importante intermediando essa relação. Venha conhecer um pouco mais sobre esta (para muitas pessoas, surpreendente) relação!

 

 

O tecido adiposo e seus hormônios

 

Os adipócitos (células que compõem o tecido adiposo) produzem diversas substâncias (as chamadas adipocinas), dentre elas a leptina e a adiponectina. Quanto maior a quantidade de tecido adiposo no corpo, maior será a produção de leptina, que inibe a formação óssea e favorece a reabsorção.

 

Já a adiponectina, ao contrário, é encontrada em baixas concentrações em pessoas obesas, e age no metabolismo aumentando a sensibilidade à insulina e regulando positivamente o gasto energético. A sua produção é estimulada pela osteocalcina, a proteína do osso!

 

 

E a vitamina D regula tudo isso!

 

A vitamina D (também conhecida como calcitriol) é conhecida pela sua principal função de aumentar a absorção de cálcio e controlar sua retenção nos rins, sendo assim muito associada com a saúde óssea.

 

Mas ela é capaz também de influenciar muitas outras atividades no metabolismo, já que pode ser identificada por receptores em diversos tipos de células (nos músculos, no pâncreas, no tecido adiposo, etc) e controlar positivamente ou negativamente a expressão de diversos genes. E veja só: a vitamina D estimula a produção de osteocalcina e também do receptor de insulina (o hormônio que faz a glicose entrar nas células), ajudando assim na regulação do metabolismo energético!

 

 

 O que acontece na obesidade?

 

A produção excessiva de leptina contribui para desregular a remodelação óssea e o metabolismo energético, aumentando o risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus. Além disso, como a vitamina D é lipossolúvel (se dissolve em gorduras), parte dela que está na circulação acaba sendo sequestrada pelo tecido adiposo e armazenada nos adipócitos, sem poder ser utilizada no resto do organismo. É por isso que pessoas obesas frequentemente apresentam deficiência de vitamina D.

            

   

Como combater a deficiência de vitamina D?

 

● Para aqueles que estão acima do peso saudável, a redução do peso corporal irá ajudar no controle das concentrações de vitamina D.

 

● Poucos alimentos naturalmente contém quantidades significativas desta vitamina. Ela pode ser encontrada em peixes de água salgada como o salmão, o atum e a sardinha, gema de ovo, fígado bovino, ostras e alguns tipos de cogumelos, e também em alimentos fortificados, como leite e iogurtes.

 

●Mas a maneira mais fácil e barata de conseguir a vitamina D é... tomando sol! Isso mesmo: nosso organismo é capaz de produzir vitamina D a partir do estímulo dos raios solares na pele. Claro que o uso regular de protetor solar é muito importante e que os horários de radiação mais fortes (entre 10h e 16h) devem ser evitados, já que uma exposição solar excessiva favorece o envelhecimento celular e aumenta o risco para o desenvolvimento de câncer de pele, mas não tenha medo do sol!

 

Manter-se diariamente por períodos de 15 ou 20 minutos com braços e pernas expostos (neste caso, sem protetor solar) nos horários mais seguros já é suficiente para garantir a produção de vitamina D. Seus ossos (e todo o resto) agradecem!

 

Referências

 

Confavreux CB, Levine RL, Karsenty G. A paradigm of integrative physiology, the crosstalk between bone and energy metabolisms. Mol Cell Endocrinol 2009; 310: 21-9.

 

Ducy P, Amling M, Takeda S, Priemel M, Schilling AF, Beil FT, Shen J, Vinson C, Rueger JM, Karsenty G. Leptin inhibits bone formation through a hypothalamic relay: a central control of bone mass. Cell 2000; 100: 197-207.

 

Hinoi E, Gao N, Jung DY, Yadav V, Yoshizawa T, Myers Jr MG, Chua Jr SC, Kim JK, Kaestner KH, Karsenty G. The sympathetic tone mediates leptin’s inhibition of insulin secretion by modulating osteocalcin bioactivity. J Cell Biol 2008; 183: 1235-42.

 

Holick MF. Vitamin D: A millenium perspective. J Cell Biochem 2003; 88(2): 296-307.

 

Holick MF, Binkley NC, Bischoff-Ferrari HA, Gordon CM, Hanley DA, Heaney RP, Murad MH, Weaver CM; Endocrine Society. Evaluation, treatment, and prevention of vitamin D deficiency: an endocrine society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab 2011; 96(7): 1911-30.

 

Lee NK, Sowa H, Hinoi E, Ferron M, Ahn JD, Confavreux C, Dacquin R, Mee PJ, Mckee MD, Jung DY, Zhang Z, Kim JK, Mauvais-Jarvis F, Ducy P, Karsenty G. Endocrine regulation of energy metabolism by the skeleton. Cell 2007; 130: 456-69.

 

Wolf G. Energy regulation by the skeleton. Nutr Rev 2008; 66: 229-33.

Please reload

Últimos posts

Alimentação na quarentena da pandemia II: como explorar a criatividade?

April 1, 2020

1/10
Please reload

Tags