Quais as diferenças entre leites tipo A, B, C e UHT?

27/07/2017

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Muitas pessoas acreditam que o leite do tipo A seria mais gorduroso (ou mais “forte”), e que o leite C seria mais aguado (ou mais “fraco”). Porém, a diferente classificação dos leites de vaca nada tem a ver com a sua composição nutricional, mas sim com características relacionadas à sua procedência e produção, como o tipo de rebanho, ordenha, processo de obtenção e número máximo de bactérias presentes após a pasteurização.

 

Os leites A, B e C são leites pasteurizados, ou seja, passam por um processo de aquecimento de 72 a 75°C por 15 a 20 segundos, seguido de resfriamento a 4°C, para reduzir a quantidade de bactérias presentes e controlar a sua proliferação. Com a pasteurização, o leite se torna mais seguro para o consumo e apresenta validade de 2 a 5 dias (quanto maior a quantidade de microrganismos, menor será a validade).

 

O leite A provem de um único rebanho, ordenhado mecanicamente (sem contato manual), refrigerado imediatamente e pasteurizado na mesma fazenda, processo que reduz a quantidade final de microrganismos.

 

O leite B pode ser obtido de rebanhos diferentes e sua ordenha pode ser mecânica ou manual. É transportado (sob refrigeração de até 4°C) antes de ser pasteurizado em outro local.

 

Já o leite tipo C tem a mesma origem e tipo de ordenha do leite tipo B, mas não é refrigerado ao ser transportado, o que acaba elevando a quantidade de microrganismos presentes.

 

O leite UHT, por sua vez, passa por um processo diferente da pasteurização. O termo UHT vem de “ultra high temperature”, o que designa um processo em que o leite (geralmente do tipo C) é aquecido em temperatura muito elevada (130°C) durante 2 a 4 segundos para ser esterilizado (eliminando todos os microrganismos). Assim, pode ser envasado em caixas do tipo tetra pak (feitas de camadas de papel alumínio, plástico e papelão) sem o uso de conservantes, e apresenta prazo de validade mais extenso (de alguns meses).

 

Independentemente do tipo de leite, todos seguem normas da legislação para garantir a segurança alimentar do consumidor e possuem composição nutricional similar, com um teor de gorduras totais de aproximadamente 3,5% na versão integral.

 

 

 

Mas e os outros tipos de leite com diferentes composições?

 

Agora sim falando de alterações nutricionais, temos o leite integral (como o teor de gordura naturalmente presente, de cerca de 3,5%), o semi-desnatado (com teor de gordura reduzido para cerca de 1,5%) e o desnatado (com teor de gordura praticamente igual a zero).

 

Apesar de ser um alimento muito importante para a saúde, sendo fonte de proteínas e de cálcio, o leite contém gorduras saturadas, um tipo de gordura cuja ingestão excessiva se relaciona a um maior risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, dislipidemias (colesterol elevado) e hipertensão arterial (pressão alta). Por isso, as opções semidesnatadas e desnatadas são interessantes para reduzir a ingestão de gorduras saturadas, que não deve ultrapassar 10% do total de calorias ingeridas diariamente (para pessoas saudáveis) ou 7% para pessoas com fatores de risco para doenças cardiovasculares.

 

Ademais, cada vez mais estão disponíveis leites fortificados com vitaminas e minerais como vitamina D, vitamina A, vitamina C, e zinco, uma alternativa para complementar dietas com aportes insuficientes destes micronutrientes.

 

 

Referências

 

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regulamento técnico de produção, identidade e qualidade de leite tipo A. Instrução normativa nº 62, de 29 de dezembro de 2011. Disponível em: http://www.apcbrh.com.br/files/IN62.pdf

 

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regulamento técnico da coleta de leite cru refrigerado e seu transporte a granel. Instrução normativa nº 51, de 18 de setembro de 2002. Disponível em: http://www.agais.com/normas/leite/leite_coletatransp.htm

 

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regulamento técnico de identidade e qualidade do leite UAT (UHT). Portaria nº 146 de 07 de março de 1996. Disponível em: http://www.agais.com/normas/leite/leite_uat.htm

 

Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia 2009-2014. Pocket Book, 2014. Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/2014/img/pockets/Pocket_Book_2014_Interativa.pdf

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